CVM cria divisão para regular IA no mercado de capitais
Resumo do dia: a CVM cria uma divisão dedicada a IA no mercado de capitais, a Microsoft mantém US$ 175 bi de gasto com IA, o BC dobra o prazo de contestação de fraude no Pix, a tesouraria elege a visibilidade do pagamento e a Opetek leva a IA auditável à mesa de trading
A CVM criou uma divisão só para cuidar de IA e tecnologia no mercado de capitais — e já mira o uso ético do algoritmo. Pela Resolução CVM nº 246, publicada em 31 de julho e em vigor imediato, o regulador brasileiro montou a Divisão de Tecnologia Financeira (Ditec), ligada à nova Superintendência de Desenvolvimento de Inteligência, para definir diretrizes técnicas do uso de soluções analíticas avançadas e cobrar "uso ético e responsável da IA" com governança de dados. Entre as prioridades declaradas estão apoiar a tokenização de valores mobiliários em 2026-2027, tocar o próximo ciclo do Sandbox Regulatório e representar o país na Fintech Task Force da IOSCO. Para o CFO e o gestor no Brasil, é o sinal de que quem usa IA no mercado vai ter de provar como ela decide. (Finsiders Brasil)
A Microsoft segurou o pé no acelerador do gasto com IA — e mostrou que o boom não deu sinal de freio. Nos resultados do 4º trimestre fiscal, de 30 de julho, a empresa manteve o plano de cerca de US$ 175 bilhões em capex no ano — a redução ante os US$ 190 bi antes citados veio de uma mudança contábil (estender a vida útil do data center de 15 para 25 anos), não de gasto menor. A receita subiu 18%, a nuvem faturou US$ 59,3 bi no trimestre (alta de 27%) e o Azure cresceu 43%. Satya Nadella disse que abriu 31 data centers no trimestre, chegando a 88 em 2026. Para o CFO no Brasil, é o lembrete de que a conta da IA segue pressionando custo, energia e preço. (CFO Dive)
O Banco Central mais que dobrou o prazo para contestar fraude no Pix e apostou na IA para separar o golpe do falso alarme. Pela evolução do MED 2.0, quem recebeu um Pix e teve o valor estornado passa a ter 80 dias (ante 30) para contestar uma devolução que suspeita ser fraudulenta — regra que vale a partir de 1º de setembro, com parte das mudanças já em 10 de agosto. O pacote inclui score de risco transacional por machine learning, bloqueio de chave e rastreio de "laranjas" até as contas de segunda camada, mirando reduzir o falso positivo que hoje pune o cliente legítimo. O volume dá o tamanho: os pedidos de devolução chegaram a 3,5 milhões em janeiro e rondam 2,7 milhões por mês. Para áreas de risco e contas a receber no Brasil, é o antifraude do Pix ficando mais fino — e mais dependente de dado. (Finsiders Brasil)
Com o pagamento ficando instantâneo, a tesouraria quer enxergar o dinheiro em tempo real — e a visibilidade virou prioridade número um. Segundo Richard Dooley, da The Clearing House, ao CFO Dive, líderes de finanças e tesouraria querem enxergar melhor o dado de pagamento para saber se enfrentam problema de timing ou de liquidez, cortando trabalho manual em contas a pagar e a receber sem abrir mão de resiliência. A entidade, que processa cerca de US$ 2 trilhões por dia em wire, ACH e pagamento em tempo real (RTP), aposta que o interesse vai crescer conforme o depósito tokenizado ganhar tração. Para tesourarias no Brasil, onde o Pix já é o trilho instantâneo, é o recado de que ver o caixa na hora deixou de ser luxo. (CFO Dive)
A IA também está descendo à mesa de trading — mas com a exigência de mostrar a conta. A londrina Opetek lançou em 31 de julho a ARIUS, plataforma de "raciocínio quantitativo" que conecta dado de mercado, modelo de preço, análise e notícia numa interface de linguagem natural — o trader pede a análise e a recebe pronta, sem codar, com resultado "explicável, auditável e reproduzível". Um banco global de primeira linha já testa a ferramenta em opções de câmbio em Nova York, Londres e Singapura, e um segundo prepara a implantação; a cobertura deve avançar para ações, renda fixa, crédito e ativo digital. Para FP&A e áreas de mercado no Brasil, é o sinal de que a IA que decide sobre risco só entra se puder ser auditada. (FinTech Global)