Feedzai usa rede de US$ 9 tri para detectar 4x mais fraude

Resumo do dia: Feedzai lança score de fraude sobre rede de US$ 9 tri, Bristol Myers corta RFP de 9 meses para 30 dias com IA, CFOs ainda presos ao Excel, Reset capta US$ 6 mi em earned wage access e Titan leva IA banking-native ao banco

A Feedzai lançou em 10 de junho o IQ Score, motor de risco que cruza sinais anonimizados de uma rede global de US$ 9 trilhões em transações — e promete detectar 4x mais fraude com 50% menos alertas que os sistemas baseados em regras. A novidade, disponível no AWS Marketplace, usa aprendizado federado para circular sinais de risco entre instituições sem expor dados sensíveis do cliente — e exige só 15 campos de dados para casos de pagamento instantâneo, com integração em dias, não meses. O alvo são bancos regionais e médios sem capacidade própria de IA. "A fraude superou o que qualquer instituição consegue deter sozinha", disse Pedro Barata, chief product officer. Para CFOs e diretores de risco no Brasil expostos a Pix e boleto, é o sinal de que a defesa antifraude está virando inteligência coletiva — não mais muro isolado por banco. (FinTech Global)

A Bristol Myers Squibb cortou o tempo médio de RFP de 6 a 9 meses para menos de 30 dias usando IA na área de compras — e fez mais de US$ 1 bilhão passar pela plataforma no primeiro ano. No caso detalhado pelo CFO Dive, a farmacêutica adotou a Globality para automatizar sourcing e seleção de fornecedores, rodando cerca de 10x mais RFPs com metade dos recursos e trazendo de volta para casa trabalho antes terceirizado. Rhonda Griscti, diretora de estratégia digital, foi direta sobre o gatilho: "você não precisa que seus dados estejam perfeitos para começar". Para controllers e áreas de compras no Brasil que esperam o dado ideal antes de automatizar, é a referência de que o ganho vem de começar. (CFO Dive)

Apesar de toda a corrida por IA, "a maioria dos CFOs com quem converso ainda roda tudo no Excel" — o alerta é de Rene Ho, CFO da SAP Taulia, sobre o abismo entre querer dado em tempo real e tê-lo. Em artigo no CFO Dive, Ho diz que o acesso a dados melhorou, mas "velocidade não é o mesmo que sincronização": sistemas legados e fragmentação travam a visibilidade. Empresas menores e ágeis adotam ferramentas de embedded finance mais rápido que multinacionais, presas a revisões em camadas e estruturas jurídicas otimizadas. A saída é integrar ERP, trilhos de pagamento e dados de fornecedor — base para a IA sair da análise para a ação autônoma. Para CFOs no Brasil, o recado é que agente de IA sem dado sincronizado decide no escuro. (CFO Dive)

A Reset captou US$ 6 milhões em rodada seed — com mais de dois terços do cheque vindo das próprias cooperativas de crédito clientes — para escalar o acesso a salário antecipado (earned wage access) embarcado em bancos comunitários. Na rodada, que leva o total a mais de US$ 8 milhões, a plataforma deixa o trabalhador sacar o salário já ganho, sem taxa, por cartão emitido pela cooperativa — e os números seguram a tese: portadores do cartão Reset mostram aumento médio de 27% em depósitos, saldos de conta corrente 36% maiores e 20% mais receita de interchange. "Quando seu cliente lidera sua rodada, não há sinal de mercado mais claro", disse o CEO Matt Dicou. Para bancos e fintechs brasileiras disputando depósito e engajamento, é o desenho de como antecipação de salário vira âncora de relacionamento. (FinTech Global)

A Titan captou US$ 3 milhões liderados pela Entropy Ventures para escalar uma IA "banking-native" — treinada do zero na linguagem, nos fluxos e na governança do setor financeiro, em vez de adaptada de modelos genéricos. A rodada — primeiro investimento do Fund I da Entropy — vem com tração: a startup, que saiu do stealth em outubro de 2025, triplicou a receita recorrente anual a partir de uma base de sete dígitos. A tese, na fala do CEO Arjun Sirrah, é que banco adota IA com segurança quando o modelo "entende produtos e governança bancária desde o primeiro dia". Para CFOs e CIOs de bancos brasileiros sob Bacen, é mais um sinal de que a vantagem migra do modelo genérico para o que já nasce dentro das regras do setor. (FinTech Global)