Oracle passa a cobrar IA por uso e aposta em preço por resultado

Resumo do dia: Oracle estreia preço por token e por resultado para IA agêntica, Earlytrade capta US$25mi para a construção, Visa expõe US$2,6bi em golpes, Compuvi leva US$40mi a compliance preventivo e AICPA mostra medo de recessão saltando a 51%

A Oracle vai cobrar IA por uso — não mais só por licença: na teleconferência de resultados de 11 de junho, a empresa estreou preços por token e por resultado para suas capacidades agênticas. Segundo o CFO Dive, 33 clientes — incluindo Aon Services e Liberty Energy — já pré-compraram pacotes de tokens, trocando a régua de licença por assento pela cobrança sobre o consumo real de IA. O movimento veio junto de um trimestre forte: receita de US$ 19,2 bilhões (alta de 21%) e nuvem em US$ 9,9 bilhões (+47%). "Estamos simplificando como o cliente consome e paga por capacidade agêntica; o novo preço se alinha ao valor entregue", disse o CEO Mike Sicilia. O recado para CFOs no Brasil é de duas pontas: o preço por uso dá visibilidade do gasto de IA, mas o modelo de consumo pode gerar surpresa no orçamento — exige medir token e resultado, não só assinar contrato. (CFO Dive)

A Earlytrade captou US$ 25 milhões para levar IA agêntica ao pagamento de subempreiteiros da construção — setor onde quem faz a obra espera de 60 a 90 dias para receber. A rodada, liderada por S3 Ventures e Brick & Mortar Ventures, banca um marketplace onde a construtora antecipa capital de giro à sua base de fornecedores. Desde a chegada aos EUA em 2024, a empresa cresceu 7x em receita, conectou mais de 211 mil subempreiteiros e intermediou mais de US$ 3 bilhões em pagamentos antecipados. O dinheiro vai embutir agentes de IA no núcleo da plataforma. Para tesourarias e áreas de suprimentos no Brasil que lidam com cadeia longa de fornecedores, é o desenho de como a IA agêntica ataca o gargalo de capital de giro da cadeia. (PYMNTS)

A unidade de combate a golpes da Visa identificou mais de US$ 2,6 bilhões em tentativas de fraude desde que foi criada, há pouco mais de dois anos — e o ritmo acelera. Pela Visa Scam Disruption, que usa análise e inteligência com apoio de IA para conectar sinais entre mercados e barrar golpes antes de chegarem ao consumidor, US$ 1,6 bilhão desse total foi detectado só a partir de outubro de 2025. No 2º semestre de 2025, o time identificou 22% mais golpes que no ano anterior — e desmontou um anel com cerca de 1.000 lojistas em 21 adquirentes europeus, responsável por aproximadamente US$ 100 milhões em receita fraudulenta. Para diretores de risco e fraude no Brasil expostos a Pix e cartão, é o lembrete de que a defesa virou inteligência de rede em tempo real, não checagem isolada. (Finextra)

A Compuvi captou US$ 40 milhões em seed para a Confinaid, plataforma de "compliance preventivo" que mira o risco regulatório no ponto em que ele nasce, em vez de reagir depois. Pela rodada, a empresa atende setores regulados — serviços financeiros, saúde, jurídico, telecom e energia — e usará o capital para avançar a engenharia de IA, ampliar a operação nos EUA e Europa e buscar certificações como SOC 2 Tipo 2, ISO 27001 e ISO 42001. A startup já entrou nos programas NVIDIA Inception e Cloudflare for Startups e lançou a versão enterprise. Para CCOs no Brasil sob Bacen e LGPD, é mais um sinal de que o compliance migra de apagar incêndio para impedir que o risco se forme. (FinTech Global)

O medo de recessão voltou à mesa do CFO: 51% dos executivos financeiros já acham que os EUA estão em recessão ou entrarão até o fim do ano — ante 36% no 1º trimestre. A pesquisa da AICPA, feita em maio, mostra um paradoxo: o otimismo com a economia caiu de 39% para 32%, mas 54% ainda esperam que o próprio negócio cresça no próximo ano. O incômodo vem de fora — custos de pessoal e benefícios no topo das preocupações, inflação ao consumidor em 4,2% em maio (a maior em três anos) e tensão geopolítica. "O otimismo econômico está cedendo, sobretudo no plano global, mas a confiança na própria organização segue firme", resumiu Tom Hood, da AICPA. Para CFOs no Brasil, é o sinal de blindar o controle interno enquanto o cenário macro oscila. (CFO Dive)