KPMG recolhe relatório de IA cheio de alucinações de IA

Resumo do dia: KPMG recolhe relatório de IA cheio de alucinações, BCG alerta para o 'vibe coding' nas finanças, Fraudio capta para antifraude com IA, Grasshopper põe o caixa a render com IA e Zelle vai à Índia com stablecoin própria

A KPMG foi obrigada a recolher um relatório sobre inteligência artificial depois que se descobriu que ele estava cheio de — ironicamente — alucinações de IA. O documento "Redefining excellence in the age of agentic AI", de outubro, trazia exemplos falsos sobre o uso de IA em organizações como o banco suíço UBS, o NHS britânico e a Transport for London. Afirmava, por exemplo, que o UBS "integra agentes de IA em assessoria de investimentos, gestão de risco e monitoramento de compliance" numa plataforma co-desenvolvida com a Microsoft — o que o próprio banco negou. As invenções foram flagradas pelo grupo de pesquisa GPTZero, que avisou o Financial Times; o relatório saiu do ar de vários sites da consultoria. O caso ecoa o da Deloitte na Austrália em 2025, que devolveu dinheiro ao governo por um relatório com erros de IA. Para CFOs, é o lembrete mais direto da temporada: análise gerada por IA sem verificação humana vira passivo de reputação — ainda mais vinda de quem vende governança de IA. (Finextra / Financial Times)

A BCG prevê a ascensão do "vibe coding" nas finanças — e pede freios antes que ele escale. Em estudo do seu Center for CFO Excellence, a consultoria aponta que ferramentas como Claude Code e OpenAI Codex já deixam times de finanças criar aplicações em linguagem natural, sem saber programar — para previsão, detecção de anomalias e revisão de documentos. O risco: um relatório da Cloud Security Alliance de março de 2026 achou "padrões de falha consistentes e reproduzíveis" na segurança de código gerado por IA. "Um CFO que deixa o time construir sem governança troca o 'Excel sombra' pelo 'código sombra'", resume a BCG. A receita é começar por casos de uso de baixo risco, manter humano no circuito e usar o código de IA para reforçar — não substituir — os sistemas centrais de contabilidade. (CFO Dive)

A Fraudio captou nova rodada liderada pela Alea Capital Partners para escalar sua detecção de fraude em pagamentos com IA. A plataforma cloud-native usa machine learning centralizado para barrar fraude em tempo real e vai aplicar o capital na expansão internacional e no aprofundamento da tecnologia de detecção. O valor não foi revelado; antes, a empresa havia levantado US$ 3,3 milhões em seed, com apoio dos fundadores de Stone, SaltPay, Viva Wallet, ComplyAdvantage e Volt. Para diretores de risco e fraude no Brasil expostos a Pix e cartão, é mais um sinal de que a defesa antifraude migra para um modelo de ML compartilhado entre clientes — em que o sinal de um ataque em uma carteira já protege as demais. (Finextra)

O Grasshopper Bank e a consultoria de investimentos Waldo lançaram o Grasshopper Treasury, que põe o caixa parado das empresas para render até 5% ao ano com insights de IA. A solução, disponível em junho, monta carteiras de tesouraria sob medida com saque no mesmo dia, cobertura SIPC estendida e saldo mínimo de US$ 250 mil. O Grasshopper, com cerca de US$ 1,6 bilhão em ativos, mira startups e pequenas empresas da economia de inovação. "Empresas em crescimento precisam de soluções de tesouraria flexíveis e construídas para o jeito como de fato gerem o caixa", disse Rob Burnett, do banco. Para tesourarias no Brasil, é a referência de como IA contextual e gestão de caixa passam a vir no mesmo produto, não em ferramentas separadas. (FinTech Global)

A Zelle vai ao exterior pela primeira vez — começando pela Índia — e lançou a própria stablecoin, a ZelleUSD (ZLUSD), para sustentar a expansão global. Operada pela Early Warning Services, consórcio dos grandes bancos americanos, a rede construiu um sistema de US$ 1,2 trilhão em pagamentos P2P nos EUA e agora mira remessas: a Índia, maior receptora de remessas do mundo, será o primeiro corredor, com chegada prevista até o fim de 2026. A ZLUSD, lastreada em dólar, vai bancar os pagamentos internacionais nos demais mercados. Para tesourarias e fintechs brasileiras de remessa, é o sinal de que até a rede bancária americana clássica adota stablecoin para fechar o cross-border. (Early Warning / PRNewswire)