Citi cria unidade bancária dedicada a IA e investe na japonesa Sakana AI
Resumo do dia: Citi reorganiza para capturar US$3T em infraestrutura de IA, Revolut pede licença bancária nos EUA, reguladores passam de princípios a enforcement, CFOs liberam agentes de IA para o caixa
Citi cria unidade bancária dedicada a infraestrutura de IA e faz primeiro investimento no Japão. O banco anunciou em 25 de fevereiro a formação de um time de AI Infrastructure Banking, reunindo sêniors de investment banking e corporate banking para capturar oportunidades em data centers, capacidade computacional e ativos digitais ligados à IA. O banco estima que US$ 3 trilhões de capital serão necessários até 2030 para financiar a expansão da infraestrutura de IA — exigindo combinações de dívida bancária, crédito privado e financiamento estruturado. Em paralelo, o Citi fez seu primeiro investimento no Japão ao entrar na Sakana AI, empresa de modelos fundacionais com foco em aplicações financeiras, através de sua unidade Markets Strategic Investments. (Finextra / Citi)
Revolut entra com pedido de licença bancária nos EUA e anuncia CEO ex-Visa para liderar expansão. A fintech britânica submeteu ao OCC e ao FDIC um pedido para criar o Revolut Bank US, N.A., com atuação em todos os 50 estados. A empresa planeja investir US$ 500 milhões nos EUA ao longo dos próximos anos para suportar a aprovação e desenvolver novos produtos. A aprovação daria acesso direto às redes Fedwire e ACH, além de depósitos segurados pelo FDIC. Cetin Duransoy, ex-Visa e ex-Capital One, foi nomeado CEO americano para conduzir o processo regulatório. A Revolut, avaliada em US$ 75 bilhões, mira 100 milhões de clientes até meados de 2027. (CoinDesk / Bloomberg)
Reguladores passam de princípios para enforcement real de IA em finanças. Em levantamento recente, a PYMNTS documenta que a UE, o Reino Unido e os EUA estão migrando de orientações genéricas para mecanismos operacionais exigíveis. O EU AI Act classifica pontuação de crédito como uso de "alto risco", com obrigações de documentação, transparência, supervisão humana e monitoramento contínuo — com compliance se tornando obrigatório até 2027. No Reino Unido, a FCA lançou a "Mills Review" para mapear o papel da IA em serviços financeiros ao varejo. Pesquisa aponta que 62% dos CFOs já apoiam o uso de IA para monitoramento de compliance regulatório. (PYMNTS)
CFOs começam a deixar agentes de IA tocar no caixa — mas com guardrails rígidos. Apenas 7% dos CFOs corporativos nos EUA já têm IA agêntica em fluxos de tesouraria ao vivo, com outros 5% em pilotos ativos, segundo pesquisa PYMNTS. A lógica é de "autonomia delimitada": os agentes perguntam "o que estou autorizado a fazer?" e operam dentro de políticas definidas — investindo em instrumentos de baixo risco, otimizando rails de pagamento e escalando para humanos quando necessário. A Bottomline lançou o agente "Bea", que permite interação em linguagem natural com dados de tesouraria. Oracle e SAP estão embarcando capacidades agênticas em seus sistemas de gestão de caixa. (PYMNTS)
Datarails capta US$ 70 milhões para levar "vibe coding" ao FP&A. A plataforma de planejamento financeiro fechou rodada Série C para expandir ferramentas de IA conversacional que permitem a CFOs perguntar em linguagem natural — "por que as margens caíram no Nordeste no último trimestre?" — em vez de escrever consultas técnicas. A abordagem elimina múltiplas etapas manuais de extração, modelagem e apresentação. Grandes plataformas como SAP e Oracle aceleram a integração agêntica, e a Salesforce oferece copilots específicos por setor. O principal desafio apontado: garantir que os dados subjacentes sejam confiáveis o suficiente para que as respostas da IA sejam auditáveis. (PYMNTS)
Gartner: ERPs com IA embarcada podem cortar o fechamento contábil em 30% até 2028. Segundo o analista sênior Mike Helsel, plataformas ERP em nuvem com IA, machine learning e agentes embarcados devem entregar um fechamento contábil 30% mais rápido nos próximos dois anos. Estudo do MIT e Stanford já mediu ganhos imediatos: com IA generativa, contadores elevam o nível de detalhe de relatórios em 12%, realocam 8,5% do tempo para tarefas de maior valor e reduzem em 7,5 dias o ciclo de fechamento mensal. A consultoria Horváth afirma ser possível automatizar mais de 70% do processo de fechamento típico com as ferramentas disponíveis hoje. (CFO Dive)
Pesquisa: 66% das equipes de contas a pagar viram trabalho manual aumentar em 2026 — o paradoxo dos dados. Apesar dos investimentos em automação, o aumento no volume e na complexidade das transações supera os ganhos de eficiência na maioria das empresas, segundo levantamento PYMNTS Intelligence. O problema central é a desconexão entre sistemas: equipes passam o ciclo de fechamento reconciliando dados de plataformas de pagamento, ERPs, billing, tesouraria e bancos — confiando em planilhas para cobrir as lacunas. O CFO da Boost Payment Solutions destacou que empresas com infraestrutura de recebíveis modernizada estão criando uma vantagem competitiva crescente sobre as que operam com processos legados. (PYMNTS)