77% dos CFOs travam cripto por incerteza regulatória
Resumo do dia: 77% dos CFOs travam cripto por incerteza regulatória, Gray Swan capta US$40mi para blindar IA de fronteira, engenharia ultrapassa finanças no uso de IA na Uber, IA agêntica esbarra na base de dados e RBNZ leva Co-operative Bank ao tribunal por falhas de AML
77% dos CFOs de médio porte nos EUA seguram a adoção de cripto por incerteza regulatória — e 67% dizem o mesmo das stablecoins. O estudo da PYMNTS Intelligence, parte do Certainty Project com 60 CFOs de empresas de US$ 100 mi a US$ 1 bi, mostra um setor financeiro em compasso de espera: só 5% usam cripto e 13%, stablecoins; 70% sequer discutiram o tema. Quando usam, 88% convertem o pagamento em stablecoin para dólar na hora (e 100% no caso de cripto) — sinal de que tratam o ativo como trilho de pagamento, não como reserva de caixa. O que destravaria? 45% citam integração com os grandes bancos e 40%, clareza regulatória. Para tesourarias brasileiras avaliando liquidação cross-border via stablecoin, o recado é direto: a barreira virou controle e compliance, não tecnologia. (PYMNTS Intelligence)
A Gray Swan captou US$ 40 milhões em Série A para blindar a IA na fronteira — com red-teaming automatizado e monitoramento dos modelos em tempo real. A rodada, co-liderada por Wing Venture Capital e Madrona, banca uma empresa nascida na Carnegie Mellon e fundada por Matt Fredrikson e Zico Kolter — este também à frente do conselho de segurança da OpenAI. O pacote tem três peças: Cygnal (proteção em runtime com políticas customizadas), Shade (agente que faz testes adversariais) e Arena (competição com 15 mil pesquisadores que geram 1 milhão de trajetórias de ataque por ano). A tração pesa: citada em 11 system cards de modelos de fronteira (Anthropic, OpenAI, Meta) e mais de 20 clientes. Para CFOs e CISOs no Brasil, é mais um nome na corrida por "quem vigia a IA" antes de ela tocar o caixa. (FinTech Global)
Na Uber, a engenharia ultrapassou as finanças no uso de IA — e estourou o orçamento anual de IA de codificação em apenas quatro meses. Segundo o CFO Dive, a adoção do Claude Code saltou de 32% em fevereiro para 84% em março, com cerca de 70% do código já vindo de IA — a um custo de US$ 150 a US$ 250 por engenheiro/mês, chegando a US$ 2 mil nos usuários intensos. O COO Andrew Macdonald admitiu a dificuldade de provar retorno: "esse elo ainda não existe". Mas o financeiro mostrou disciplina e resultado: 96% das notas fiscais processadas automaticamente com 95%+ de acurácia, revisão de contratos para reconhecimento de receita totalmente automatizada e avisos regulatórios 70% mais rápidos. "Não tem token-maxxing nas finanças", resumiu o diretor Tiho Nedkov. (CFO Dive)
A próxima onda de IA agêntica vai travar na base de dados, não no modelo: 85% das empresas querem ser agênticas em três anos, mas 76% admitem que a operação atual não suporta. A análise da PYMNTS defende tratar dados como infraestrutura permanente, não como projeto. O dado que ancora a tese: uma empresa que trocou métricas de atividade por métricas de resultado viu o ROI da IA agêntica triplicar em dois trimestres. Serviços financeiros estão entre os que avançam mais rápido — "o caso de produtividade é concreto" —, mas quem avalia modelo antes da infraestrutura "começa no lugar errado". Para áreas de finanças e FP&A no Brasil, é o mesmo recado que volta a cada onda: a fragmentação de dados é o gargalo, não a escolha do agente. (PYMNTS)
O Reserve Bank da Nova Zelândia levou o Co-operative Bank ao Tribunal Superior por falhas sistêmicas de prevenção à lavagem desde 2020 — com multa recomendada de cerca de NZ$ 1,4 milhão. No caso, o banco admitiu responsabilidade nas três acusações: regras de monitoramento de transações que falharam, atividade de verificação insuficiente e registros inadequados — deixando passar transações e clientes de alto risco e atrasando a devida diligência reforçada. É a segunda ação civil de AML aberta pelo regulador em seis meses. "Falhas prolongadas e sistêmicas em obrigações centrais de AML são sérias e inaceitáveis", afirmou Angus McGregor, do RBNZ. Para CCOs e diretores de compliance no Brasil sob PLD/FT do Bacen, o caso é o lembrete de que monitoramento que quebra em silêncio vira passivo regulatório — exatamente o ponto que a IA agêntica promete cobrir. (FinTech Global)