Apenas 13,5% dos financeiros usam IA agêntica: a oportunidade de ser pioneiro

Pesquisa Deloitte com 3.300 profissionais revela que 33,6% estão construindo ou planejando -- como se posicionar como early adopter.

Apenas 13,5% das organizações já usam IA agêntica em finanças e contabilidade. É o que revela uma pesquisa do Deloitte Center for Controllership com mais de 3.300 profissionais da area, conduzida em janeiro de 2025. Ao mesmo tempo, 33,6% dizem que estão construindo ou planejando adotar a tecnologia. E 80,5% acreditam que agentes de IA e chatbots de IA generativa se tornarao ferramentas padrão da profissão nos próximos cinco anos.

Esses números revelam uma janela rara: a grande maioria do mercado reconhece que IA agêntica será fundamental, mas quase ninguém já implementou. Para quem agir agora, a oportunidade de vantagem competitiva e concreta e mensurável.

O retrato completo da pesquisa Deloitte

A pesquisa foi conduzida durante o webcast "Next-gen controllership: AI and emerging tech's impact on finance" do Deloitte Center for Controllership. Vamos aos dados completos:

Status de adoção:

  • 13,5% já usam IA agêntica
  • 33,6% estão construindo ou planejando
  • 52,9% não usam e não tem planos imediatos

Benefícios percebidos (pergunta: qual o maior benefício?):

  • 42,7% apontam aumento de eficiência e produtividade
  • 26,3% destacam análise de dados e insights aprimorados
  • 12,4% citam melhoria de acurácia e redução de erros

Entre os que já usam IA agêntica, a percepção de benefício e ainda mais forte: 56,1% apontam eficiência e produtividade como principal ganho.

Nível de confiança em decisões autônomas:

  • 59,7% confiam em agentes para decidir dentro de frameworks definidos, mas julgamentos devem ser humanos
  • 19,9% não confiam na tecnologia para tomar decisões em nenhuma capacidade
  • 2,7% confiam em agentes para decisões autônomas incluindo julgamentos subjetivos

Principais barreiras:

  • 21,3% apontam falta de confiança na IA (nos dados, na programação, nos resultados)
  • 20,1% citam integração com sistemas existentes
  • 13,5% mencionam falta de pessoal qualificado para operar agentes

Timeline de adoção massiva:

  • 80,5% acreditam que IA será ferramenta padrão em até 5 anos
  • 14,8% acreditam que isso acontecera em menos de 12 meses

O que os 13,5% que já adotaram estão fazendo

A pesquisa não detalha os casos de uso específicos dos early adopters, mas cruzando com dados de mercado e outros levantamentos, o perfil é claro:

Processos onde agentes já estão em produção:

  • Conciliação e matching de transações: Agentes que cruzam extratos bancários, faturas e ordens de compra automaticamente. Empresas como o Goldman Sachs já usam agentes Claude da Anthropic para reconciliação de operações vinculadas a US$ 2,5 trilhões em ativos.
  • Processamento de faturas: Extração, classificação e roteamento automático de faturas, incluindo matching 3-vias. Plataformas como HighRadius reportam 90% de automação touchless em cash application.
  • Previsão de fluxo de caixa: Agentes que consolidam dados de múltiplas fontes e geram previsões atualizadas continuamente, sem input manual.
  • Priorização de cobranças: Agentes que analisam a carteira de inadimplência e definem automaticamente a ordem, o canal e o tom de cada ação de cobrança.
  • Detecção de fraudes e anomalias: Agentes que monitoram transações em tempo real e flagram padrões suspeitos. O JPMorgan reportou prevenção de US$ 1,5 bilhão em fraudes com IA.

O que os early adopters tem em comum:

  1. Comecaram com um caso de uso específico, não com uma "estratégia de IA" genérica
  2. Definiram métricas de sucesso antes de implantar
  3. Mantiveram supervisão humana nós pontos críticos
  4. Investiram em integração com sistemas existentes, não em ferramentas isoladas

A matematica da vantagem do pioneiro

Ser early adopter tem custos, mas também tem recompensas mensuradas:

O custo de esperar:

Se 33,6% estão construindo ou planejando, a janela de vantagem está se fechando. Em 12 a 18 meses, a fatia de adoção deve saltar significativamente. Quem implantar agora terá:

  • Curva de aprendizado adiantada: Agentes melhoram com dados e feedback. Quanto antes você começar, mais rápido eles se calibram para sua operação.
  • Dados de baseline para ROI: Empresas que já medem o impacto terão argumentos concretos para expandir investimento. As que comecarem depois partirao do zero.
  • Talentos treinados: Profissionais que já sabem trabalhar com agentes serão escassos e valiosos. Formar essa competência leva tempo.

O retorno mensurável:

Dados de mercado consolidados indicam:

  • ROI médio de 171% em implantações de IA agêntica
  • Retorno de 2,3x em 13 meses, segundo a IDC
  • 20% a 60% de ganho de produtividade em processos financeiros específicos, segundo a McKinsey
  • 30% de redução no tempo de processos de onboarding e verificação de clientes

Para uma equipe financeira de 10 pessoas onde 40% do tempo e gasto em tarefas que agentes podem automatizar, estamos falando de liberar o equivalente a 4 FTEs -- não para demitir, mas para realocar em análise, estratégia e melhoria de processos.

A barreira da confiança: como supera-la

O dado mais revelador da pesquisa Deloitte e que a principal barreira não é tecnológica. E confiança. 21,3% apontam falta de confiança como o maior obstáculo -- acima de integração de sistemas (20,1%) e falta de pessoal (13,5%).

Isso é ao mesmo tempo um problema é uma oportunidade. Problema porque confiança não se resolve com um pitch de vendas. Oportunidade porque confiança se constrói com evidência -- é a evidência esta ao alcance de qualquer equipe disposta a testar.

Estratégias práticas para construir confiança:

1. Comece com decisões reversiveis Não coloque um agente para aprovar pagamentos de R$ 500 mil no primeiro dia. Comece com classificação de lançamentos, priorização de cobranças ou matching de transações de baixo valor. Se o agente errar, o custo é baixo é corrigível.

2. Rode em paralelo antes de substituir Mantenha o processo manual rodando em paralelo por 30-60 dias. Compare os resultados do agente com os do humano. Na maioria dos casos, o agente empata ou supera -- é a equipe ganha confiança ao ver isso com os próprios dados.

3. Torne as decisões do agente transparentes Agentes que explicam seu raciocínio geram mais confiança do que "caixas-pretas" que só mostram o resultado. Exija que a plataforma que você escolher mostre por que o agente tomou cada decisão. O Claude da Anthropic, por exemplo, e projetado para explicar seu raciocínio passo a passo.

4. Defina guardrails quantitativos "O agente pode aprovar faturas de até R$ 5.000 com matching 3-vias perfeito." "O agente pode reclassificar lançamentos de até R$ 1.000." Limites claros e quantitativos reduzem a ansiedade da equipe e criam uma zona segura de operação.

5. Celebre os erros que o agente evitou Quando o agente flagrar uma fatura duplicada, identificar um pagamento errado ou detectar uma anomalia que a equipe teria perdido, comunique. Nada constrói confiança mais rápido do que ver o agente prevenir um problema real.

O perfil do early adopter em finanças

Baseado nos dados da Deloitte e nos casos de mercado, o perfil do early adopter bem-sucedido em finanças tem características claras:

Mentalidade:

  • Ve IA como ferramenta de amplificação, não de substituição
  • Aceita que os primeiros 90 dias terão ajustes e erros
  • Prioriza aprendizado rápido sobre perfeição na implementação

Estrutura:

  • Tem pelo menos um processo financeiro padronizado e mensurável
  • Conta com integração básica entre ERP e ferramentas de gestão
  • Possui alguém na equipe (não precisa ser um especialista em IA) com curiosidade e disposição para liderar o piloto

Abordagem:

  • Começa com um caso de uso, não com uma plataforma
  • Define sucesso em números (tempo, custo, taxa de erro), não em percepção
  • Planeja expandir em ondas, não em big bang

O cenário brasileiro: onde estamos

No Brasil, a adoção de IA agêntica em finanças esta ainda mais incipiente. Enquanto os 13,5% da pesquisa Deloitte refletem principalmente o mercado americano, empresas brasileiras enfrentam desafios adicionais:

  • Complexidade tributaria que exige adaptação de modelos treinados em contextos mais simples
  • Diversidade de formatos de documentos financeiros (NFe, NFSe, boletos, PIX, múltiplos bancos)
  • Menor maturidade digital em processos financeiros na maioria das empresas de médio porte

Mas também há vantagens: o ecossistema financeiro brasileiro e avancado em pagamentos instantâneos (PIX), open finance e bancarização digital, criando uma base de dados rica para agentes de IA.

A oportunidade para empresas brasileiras que se moverem cedo e, proporcionalmente, ainda maior do que nos EUA. Se menos de 13,5% do mercado americano já adotou, no Brasil o número e provavelmente de um dígito. Cada ponto percentual de adoção antecipada representa uma vantagem mais significativa.

O roadmap do early adopter: 90 dias para o primeiro resultado

Se você quer estar entre os pioneiros, um plano de 90 dias pode ser:

Dias 1-30: Diagnóstico e seleção

  • Liste os 5 processos financeiros que mais consomem horas de equipe
  • Meca o tempo médio, custo e taxa de erro de cada um
  • Selecione o processo com melhor combinação de alto volume + dor operacional + baixo risco
  • Pesquise 2-3 fornecedores de agentes para esse processo específico

Dias 31-60: Piloto controlado

  • Implemente o agente em modo "copiloto" (sugere, humano decide)
  • Rode em paralelo com o processo manual
  • Colete dados diários de acurácia, tempo e exceções
  • Ajuste parâmetros semanalmente com base nos resultados

Dias 61-90: Avaliação e decisão

  • Compare métricas do agente vs. processo manual
  • Calcule o ROI projetado para operação em escala
  • Apresente os resultados para a liderança
  • Decida: escalar, ajustar ou pivotar para outro caso de uso

Ações práticas

  1. Posicione-se nos 33,6%, não nos 52,9%. Se você ainda não está usando IA agêntica, pelo menos comece a planejar. A diferença entre "estamos avaliando" e "não temos planos" e enorme em termos de preparação organizacional.
  2. Escolha seu primeiro caso de uso esta semana. Não espere a estratégia perfeita. Olhe para a rotina da sua equipe e identifique a tarefa mais repetitiva, mais demorada e mais propensa a erros. Esse é seu ponto de entrada.
  3. Construa confiança com dados, não com argumentos. A barreira número 1 e confiança. A única forma de supera-la e com evidência empirica da sua própria operação. Um piloto de 30 dias com métricas claras vale mais do que qualquer apresentação de fornecedor.
  4. Invista em capacitação da equipe agora. Falta de pessoal qualificado e a terceira maior barreira (13,5%). Comece a formar competência interna: workshops sobre IA agêntica, participação em webinars, experimentação com ferramentas acessíveis. O momento de treinar e antes de precisar.
  5. Conecte-se com outros early adopters. Comunidades de CFOs e controllers que estão experimentando IA agêntica estão se formando. Trocar experiências com quem já esta nessa jornada acelera o aprendizado e reduz erros evitaveis. Participe de eventos como o Radiance da HighRadius ou webinars do Deloitte Center for Controllership.