Boticário audita com IA e pega metade do orçamento fora da regra
Resumo da semana: Boticário flagra orçamento fora da regra com IA, Eftsure e Relish criam gigante do antifraude e KPMG certifica primeira IA agêntica do setor
No Cortex Summit, o agente de IA saiu do powerpoint para a prateleira — com auditoria que pegou meio orçamento fora da regra. No encontro que reuniu 1.300 executivos em São Paulo na terça, o Grupo Boticário revelou que a leitura de notas fiscais de marketing regional por IA flagrou que metade do gasto das lojas descumpria as regras da companhia, com 90% de acurácia. No mesmo evento, o iFood contou que criou 27 mil agentes internos em 18 meses — mas só entre 100 e 200 geraram impacto relevante no negócio. Para o financeiro no Brasil, é a prova de que o agente de IA já entrega resultado mensurável, mas a maioria não passa de experimento. (Central do Varejo)
O Congresso americano começou a testar as regras para o agente de IA que movimenta dinheiro sozinho. Numa audiência da Câmara na quarta, o presidente da Circle, Heath Tarbert, defendeu que pagamento por agente de IA exige infraestrutura "sempre ligada" — "eles não param à noite, fim de semana ou feriado" — e que a regulação de stablecoin do GENIUS Act evita que o agente migre para moeda offshore mais frágil. Para pagamentos e tesouraria no Brasil, é o desenho da régua que vai decidir até onde o agente pode gastar sozinho. (PYMNTS)
A KPMG virou a primeira Big Four a certificar externamente uma ferramenta de IA agêntica. A empresa levou o aIQ Capture — que faz entrevista por voz com o profissional para captar conhecimento e virar material de cliente — para certificação sob o padrão AIUC-1, com mais de 900 testes técnicos por alucinação, vulnerabilidade e injeção de prompt, sem falha crítica encontrada. "A certificação é evidência de rigor, mas não elimina nem dá imunidade a risco", pondera Aisha Tahirkheli, da KPMG. Para compliance e auditoria no Brasil, é o selo de confiança que o agente de IA vai precisar para operar com controle. (CFO Dive)
A Eftsure comprou a Relish para virar uma plataforma global única de garantia de pagamento — do cadastro do fornecedor ao envio do dinheiro. A aquisição junta a verificação independente de conta bancária da Eftsure com a validação de fornecedor e o processamento de fatura por IA da Relish, formando uma empresa que protege mais de US$ 288 bilhões em pagamento por ano e monitora 11 milhões de fornecedores em 190 países. "Isso cria algo que o mercado não tinha", diz Jon Soldan, CEO da Eftsure. Para o contas a pagar no Brasil, é a validação e a verificação de pagamento virando uma só camada de defesa. (CPA Practice Advisor)
As cooperativas de crédito americanas estão em ponto cego sobre o risco do próprio modelo de IA. Uma pesquisa da American Banker mostra que só 18% delas classificam o risco de modelo de IA como crítico ou alto, contra 62% dos grandes bancos — e 71% admitem não estar preparadas para essa ameaça, o pior índice entre os grupos pesquisados. Mesmo assim, 59% dos bancos e cooperativas já testam ferramenta de IA para risco e compliance, sinal de que a adoção corre na frente da governança. Para risco e compliance no Brasil, é o lembrete de que porte de instituição não isenta ninguém de vigiar o próprio modelo. (American Banker)
O JPMorgan já reduziu de 45 minutos para 30 segundos o tempo de extrair dado de balanço para analisar crédito privado — com IA. Segundo reportagem da Benzinga, Sarah Gang, chefe global de crédito para subscrição do banco, conta que o modelo de linguagem já padroniza documento bagunçado de empresa em segundos, liberando o analista para investigar primeiro quem mostra sinal de deterioração num portfólio de cem tomadores. "A probabilidade de default é exatamente o que queremos resolver", diz Gang — mas fica a dúvida de quem audita o erro do próprio modelo. Para crédito no Brasil, é a IA acelerando a decisão e cobrando vigilância redobrada. (Benzinga)
A BlackLine conseguiu validar conformidade PCI DSS para destokenizar dado de cartão — e destravar a conciliação automática num fluxo que hoje esbarra na exigência de segurança. Pelo anúncio de terça, o novo PCI Detokenization Service deixa o usuário autorizado acessar o dado de cartão necessário para casar a transação sem que a informação sensível saia do ambiente do cliente. O recurso mira banco e instituição financeira, mas também varejo, viagem e hotelaria, onde milhão de transação de cartão por mês ainda trava em exceção manual. Para conciliação no Brasil, é o dado protegido deixando de ser desculpa para a exceção manual. (GlobeNewswire)
Enquanto a maioria dos bancos espera até seis anos pelo retorno do investimento em IA, o Discovery Bank já colheu 500%. Segundo reportagem da PYMNTS, o banco sul-africano usa uma plataforma de dados com assistente de IA para rodar mais de 300 modelos por dia, cortar o tempo de esteira de dado em 20 vezes e elevar o engajamento do cliente em 40% — além de já ter bloqueado cerca de US$ 6 milhões em fraude desde o fim de 2025. "Com a plataforma, vimos 500% de ROI", diz Stuart Emslie, chefe de dados do banco. Para o CFO no Brasil, é a prova de que dado, plataforma e caso de uso certo encurtam e muito o retorno da IA. (PYMNTS)
O novo CFO da Cambium quer usar IA para dar ao C-level da empresa um "norte" que hoje não existe. Peter Coats, ex-Google que cuidou da estratégia financeira do Waymo e do DeepMind, assumiu o posto na fabricante de produtos de madeira e disse à CFO Dive que aplicar "tecnologia e automação num setor tão antigo, inclusive no back office" é peça central da sua estratégia. Ele começou pedindo ao time que mapeasse o próprio processo, mês a mês, para separar o que pode ser automatizado do que exige julgamento humano. Para o financeiro no Brasil, é o roteiro de como o CFO novo usa IA para provar valor logo na entrada. (CFO Dive)
A IA virou prioridade estratégica para 96% das fintechs de crédito brasileiras — o maior índice já registrado para qualquer tecnologia na pesquisa. Segundo levantamento da ABCD e da PwC Brasil, 62% das fintechs do setor já usam IA de forma efetiva na operação, sinal de que a tecnologia deixou de ser projeto isolado para entrar no planejamento estratégico. O pano de fundo é de crescimento: as fintechs de crédito concederam R$ 53,8 bilhões em 2025, alta de 51% sobre 2024, o sexto ano seguido de expansão do setor. Para o crédito no Brasil, é a IA virando prioridade no mesmo ritmo em que o setor cresce. (TI Inside)