Banco Central mira IA para travar fraude no Pix em tempo real

Resumo da semana: Banco Central mira IA contra fraude no Pix, BCG alerta sobre fraude agêntica e IBM fecha parceria com a OpenAI

O Banco Central vai usar inteligência artificial para tentar travar a fraude no Pix antes que o dinheiro saia da conta. Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, a autarquia está desenvolvendo um índice preditivo de fraude baseado em aprendizado de máquina, calculado de forma centralizada com dados das próprias transações, para gerar uma pontuação de risco compartilhada entre as instituições via DICT — cada banco decide se aprova ou barra a transferência. O Pix movimentou R$ 35 trilhões em quase 80 bilhões de transações em 2025, com 148 milhões de usuários. O plano inclui ainda bloqueio cautelar automático entre instituições e limite de valor e horário para perfil suspeito. Para o antifraude no Brasil, é o regulador tentando industrializar a defesa contra o golpe que já é rotina. (Olhar Digital)

Os golpes do Pix vão ficar mais sofisticados em 2026 — e a IA generativa é a responsável. Segundo pesquisa da ESET, criminosos já usam modelo de linguagem para gerar em segundos scripts de golpe adaptados ao perfil da vítima, com dado real, linguagem natural e narrativa coerente — o que torna a engenharia social mais convincente e mais difícil de reconhecer. O alerta chega na mesma semana em que o Banco Central admite que vai precisar de IA para acompanhar o ritmo da fraude. Para o antifraude no Brasil, é a corrida entre golpista e banco ficando mais rápida dos dois lados. (WeLiveSecurity/ESET)

A fraude financeira está prestes a ficar até 90% mais barata de operar — para o criminoso. Segundo alerta do Boston Consulting Group, a capacidade da IA agêntica vem melhorando dez vezes ao ano desde 2024, e sistemas autônomos já conseguem automatizar toda a cadeia do golpe — da abordagem à lavagem — sem intervenção humana, derrubando o custo de operação do fraudador. O golpe já custa US$ 442 bilhões por ano a consumidores e empresas no mundo, segundo a Global Anti-Scam Alliance. A recomendação da consultoria: bancos precisam de red-teaming dos próprios modelos de detecção e plano de contingência para pico de fraude. Para áreas de risco no Brasil, é o aviso de que a defesa também precisa de agente — e de velocidade. (TechTrends/BCG)

O agente de IA está deixando de ser piloto para virar mão de obra fixa no compliance bancário. Segundo a fintech.global, citando a McKinsey, um único profissional de compliance pode supervisionar de 15 a 20 agentes especializados, com ganho de produtividade de até 20 vezes. Mas a adoção ainda é rara: só 10% das instituições financeiras já rodam agentes de IA em escala, segundo o Capgemini Research Institute, com foco em detecção de fraude (64%) e onboarding de cliente (59%). A Duna, uma das plataformas citadas, reduziu o onboarding de uma varejista europeia de oito dias para menos de um minuto. Para o compliance no Brasil, é o salto do piloto isolado para o time de agentes governado. (FinTech Global)

A Amex Ventures apostou na Fazeshift para levar a IA agêntica além do contas a receber. O braço de capital de risco da American Express fez um aporte estratégico na startup, cujos agentes automatizam mais de 90% das tarefas manuais de cobrança, faturamento e conciliação — a receita cresceu 12 vezes desde a Série A de US$ 17 milhões, em maio. Numa implantação, os agentes automatizaram mais de 9 mil comunicações com cliente num único dia e recuperaram US$ 7,4 milhões em semanas. O plano agora é expandir para uma suíte financeira mais ampla. Para o contas a receber no Brasil, é o dinheiro indo atrás do agente que já cobra sozinho. (PYMNTS)

A Mercury deu ao agente de IA seu próprio cartão corporativo — com teto de gasto que ele mesmo não pode alterar. A fintech lançou o Mercury Spend, permitindo que a empresa emita "Agent Cards" para que assistentes de IA completem compras de ponta a ponta sem aprovação a cada transação — dentro de limite de valor, categoria e fornecedor definidos por um humano; fora da regra, a compra é recusada na hora. A Mercury já soma mais de 300 mil empresas na base e US$ 650 milhões em receita anualizada. Para contas a pagar no Brasil, é o cartão corporativo ganhando um titular que nunca dorme — com coleira. (PYMNTS)

A S&P Global colocou seus dados financeiros para dentro do Copilot do Excel. Pela expansão da parceria com a Microsoft, o motor Kensho passa a alimentar o Microsoft 365 Copilot com pesquisa de empresa, análise financeira, inteligência de teleconferência e comparação entre pares — sempre com fonte citada e verificável, via uma API batizada de "Deterministic Retrieval". O analista pode perguntar direto na planilha e receber resposta rastreável, sem sair do fluxo de modelagem. Para FP&A e research no Brasil, é o dado confiável entrando onde o analista já trabalha. (S&P Global)

IBM e OpenAI fecharam parceria para levar os modelos de fronteira da OpenAI ao coração da consultoria empresarial — incluindo o setor financeiro. No acordo, a IBM incorpora o GPT-5.6, o Codex e o ChatGPT Work ao IBM Consulting Advantage e cria a "OpenAI Practice", unidade dedicada com milhares de consultores certificados, entrando no nível Elite de parceiros da OpenAI. O foco declarado inclui modernizar fluxo financeiro em setores regulados, ao lado de governo, telecom e varejo. "As empresas que saem na frente com IA são as que a transformam em parte confiável de como o negócio opera", disse Denise Dresser, da OpenAI. Para o financeiro no Brasil, é mais um sinal de que a consultoria de IA está virando canal de distribuição do modelo. (IBM Newsroom)

Times de contabilidade querem IA, mas só um em dez usa de verdade. Segundo estudo da FloQast, 85% das equipes contábeis tratam IA como prioridade estratégica, mas apenas 10% a usam de forma extensiva — a barreira é confiança, treinamento e governança, não a tecnologia. Times "nativos em IA" fecham o mês em 6,7 dias, dois a menos que o restante, e gastam 34% do tempo em tarefa manual, contra 63% dos times menos maduros. "A profissão contábil não tem problema de ambição com IA, tem problema de execução", resume Mike Whitmire, CEO da FloQast. Para o fechamento contábil no Brasil, é o intervalo entre querer e usar que decide o resultado. (CPA Practice Advisor)

Uma em cada quatro empresas já atrasou ou cancelou um projeto de IA por causa da conta que fugiu do controle. Segundo o relatório de Governança de Custo de IA 2026 da Mavvrik, citado pela CFO Dive, 62% das empresas tiveram custo inesperado de IA afetando decisão de negócio no último ano, 40% precisaram de aprovação do conselho para conter o gasto e 33% decretaram congelamento emergencial. Só 11% das empresas conseguem prever o gasto com IA dentro de uma margem de 10% — pior que os 15% de 2025. "É uma tempestade perfeita de dinheiro desperdiçado", resume o CEO da Mavvrik, Sundeep Goel. Para o FP&A no Brasil, é o orçamento de IA precisando da mesma disciplina de qualquer outra linha de custo. (CFO Dive)