Microsoft ensina o Copilot a fazer o financeiro no Excel

Resumo do dia: Microsoft dá 'habilidades' ao Copilot no Excel do financeiro, Quantifind capta US$200mi contra o crime financeiro, LSEG diz que previsão de inflação está quebrada, Andera leva US$37mi à auditoria interna e bancos lançam a OSERA contra ameaças de IA ao código aberto

A Microsoft ensinou o Copilot a aprender "habilidades" dentro do Excel — instruções reutilizáveis que guiam a IA por tarefas recorrentes do financeiro, do fechamento do mês à análise de variação. Pela novidade, em vez de explicar tudo de novo a cada vez, o time monta uma "skill" que conduz o Copilot passo a passo — modelagem, atualização de relatório mensal, conciliação — aplicando a estrutura e a formatação certas para gerar um resultado fácil de revisar, reusar e confiar. A própria área financeira da Microsoft já testa o recurso em FP&A, contabilidade, impostos, compliance e tesouraria; há uma biblioteca de skills prontas e parceiros como LSEG, Ramp e Vena vão distribuir as suas, com dados de FactSet, Morningstar e S&P Global. Para analistas e controllers no Brasil, é o sinal de que a planilha — onde o financeiro de fato mora — vira o lugar em que a IA assume a rotina. (CFO Dive)

A Quantifind captou US$ 200 milhões, em rodada liderada pela Summit Partners, para escalar IA "nativa de risco" no combate ao crime financeiro. A rodada, com Citi Ventures, S&P Global e Deloitte, banca a plataforma Graphyte, que junta dado interno e externo a modelos de linguagem próprios para resolver identidade de entidade e descobrir risco em PLD, KYC e sanções — com agentes auditáveis e supervisão humana. Já roda em 6 dos 10 maiores bancos globais; segundo a Celent, bancos Tier 1 que a usam cortam até US$ 177,9 milhões por ano em custo de alerta. Para áreas de compliance no Brasil sob Bacen, é mais um recado de que a triagem de crime financeiro vira trabalho de agente. (PYMNTS)

A LSEG diz que a previsão de inflação está "quebrada" — e que modelar os componentes do índice, e não o consenso, acerta muito mais. Pela análise, modelos que desmontam a inflação em seus motores, com indicadores de alta frequência em vez de dado retrospectivo, atingiram 100% de acerto de direção (ante 78% do consenso) e 56% de taxa de acerto (ante 33%), com erro médio menor. A vantagem: estimativas de CPI acionáveis antes da divulgação oficial e com explicação do que move o número, não só o número. Para tesourarias e gestores no Brasil, é o desenho de como antecipar a virada de inflação em vez de reagir a ela. (FinTech Global)

A Andera captou US$ 37 milhões em Série A liderada pela Lightspeed para automatizar com IA a auditoria interna — incluindo o teste de controles de SOX. A rodada banca uma plataforma "AI-native" que usa modelos de linguagem e agentes para processar evidência financeira: coleta de prova, teste de controle e geração de papel de trabalho, liberando o auditor para olhar o risco de verdade. A tese da Lightspeed: o raciocínio de LLM somado à pressão dos CFOs por ganho de 200% a 300% no back-office abriu a janela; a empresa mira clientes Fortune 100. Para áreas de auditoria e controles internos no Brasil, é o sinal de que o teste de SOX vira trabalho de máquina. (FinTech Global)

Cinco gigantes bancários se uniram para blindar o código aberto que sustenta o sistema financeiro contra uma nova ameaça: a IA que descobre falhas de software em minutos. Pela iniciativa, o FINOS — braço financeiro da Linux Foundation — anunciou a OSERA, aliança que vai fortalecer e corrigir as bibliotecas abertas das quais os bancos dependem, após um piloto de Deutsche Bank, Goldman Sachs, Morgan Stanley, RBC e TD. O pano de fundo: "a IA comprimiu a descoberta de vulnerabilidade de semanas para minutos", mas a correção das bibliotecas antigas não acompanhou. Para CIOs e áreas de risco no Brasil, é o reconhecimento de que a mesma IA que ataca o legado exige uma resposta coletiva. (Finextra)